Mostrando postagens com marcador Se nao ouviu ainda ouça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Se nao ouviu ainda ouça. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de agosto de 2011

Se não ouviu ainda, ouça: Água no Deserto - Gladir Cabral (2009)







Sempre lidando com a poesia e os temas do cotidiano, este é um trabalho realmente diferenciado na obra do Gladir Cabral. Digo isso por causa da temática e especialmente do conteúdo poético. No último som do céu, ouvi um depoimento do Jorge Camargo que pontuava momentos marcantes em sua vida como artista. Jorge afirmava, com razão, que o Gladir é certamente nossa maior referencia poética da atualidade.

Com uma poesia singular, o Gladir trouxe neste trabalho canções belíssimas. Eu queria pontuar algumas que são especiais.

A canção tema, água no deserto, é de uma beleza e de um vigor poético que me deixa impressionado. Gladir abusa das rimas ricas, e faz um belíssimo poema cantado:


Água no deserto
(Gladir Cabral)


Um pequeno grão de areia leve e solto,
carregado à tarde pelo vento louco,
Uma rocha imensa entre o tudo e o nada,
Uma duna adormecida e tão calada.
Uma estrada longa e sempre assim, vazia,
Ao cair da tarde lenta e sombria,
Aridez de um campo amplo e bravio
Falta de alegria, sequidão de estio.

Mas tu, preciosa como água no deserto,
Uma estrela viva neste mar aberto
Tua mão apoia o meu braço incerto,
Estás bem perto.

Um pequeno grão de areia no universo,
Movimento mudo e tudo tão disperso.
Um gota de oceano entre as estrelas,
Brilha de alegria tão feliz por vê-las,
Uma planta espera a estação da chuva,
Uma prece ecoa pela noite turva,
Uma ponta de espinho e de medo,
Ventania seca pelo arvoredo.

Mas tu, colorido como a linda primavera,
Clara como a lua que jamais se altera,
Clara bóia nua sobre a luz da esfera,
Quem me dera estar contigo sempre.
Mas tu, preciosa como água no deserto,
Um estrela viva neste mar aberto,
Tua mão apoia o meu passo incerto,
estás bem perto.

Dança de roda é uma canção muito bonita, que me lembra nossa chegada no céu!!!

Dança de Roda
(Gladir Cabral)

Bem melhor do que navegar sozinho
Bem melhor do que caminhar sem par
Muito mais do que só se olhar no espelho
Ou ver a própria sombra…

Pega a sanfona, traz a viola, toca a rabeca (olerê)
Chama os tambores e os tocadores pra nossa festa (olará)
Faz uma fogueira, planta uma bandeira, canta a noite inteira (aiá)
Convida todos os ritimistas para a calçada (olerê)
Pega as estrelas, põe nas soleiras da madrugada (olará)
Dança moçambique, dança marujada, dança de congada (aiá)

Uma parte da vida é suor e pão
Outra parte é pandeiro e celebração
Tudo tão bom
Se a mão de quem planta puder colher

Ir além dos limites do próprio corpo
Por o pé nas fronteiras do nosso chão
Palmo a palmo, alcançar com algum esforço
O esboço de outra palma

Ver o riso pousado em cada rosto
Ter o gosto de reaprender a andar
Como quem sabe caminhar dançando
Ao toque da viola

Viva a alforria! Viva a alegria! Viva a fartura! (olerê)
Que haja folia e cantoria, que haja procura (olará)
De uma dança nova, de um casa nova, de uma vida nova (aiá)
Dança de roda, dança de rua, dança de novo (olerê)
Festa de maio, festa de negro, festa do povo (olará)
Canta a novidade, canta de verdade, canta a liberdade (aiá)

É que a vida floresce nos pedregais
E renova a florada dos matagais
Belos sinais
Da chegada certeira de um tempo bom

Outra canção belíssima se chama O Sonho, uma parceria com o Jorge Camargo:

O Sonho

( Gladir Cabral)O sonho da semente é o trigo
O sonho do padeiro, o pão
O sonho do poeta, o livro
O sonho do livro, a visão
O sonho da visão, a estrela
O sonho da estrela, o céu
O sonho do céu, o Filho Amado
que um dia nasceu em Belém
e foi qual semente que morre
e foi qual poeta que canta
e foi como a gente que parte
e que come pão, livro, estrela e céu
Gladir Cabral - Água no Deserto

1. Sinal de Amor (ouça aqui)
2. Um novo dia
3. Desapego (ouça aqui)
4. Palavra de Amor
5. Passarinho
6. Água no deserto
7.Pausa (ouça aqui)
8. Simplicidade
9. O Sonho (ouça aqui)
10. Terra
11. Dança de roda
12. Este País (ouça aqui)
13. Eterno
14. Rei do universo (ouça aqui)

Outras canções podem ser ouvidas no site do Gladir: www.gladircabral.com.br

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Se não Ouviu, ouça! – Plantando a Semente/Fruto da Semente – Grupo Semente (1985)


Nascido em 1982, o grupo Semente conseguiu unir num mesmo projeto uma equipe invejável músicos e compositores dos anos 80. Guilherme Kerr Neto, Sergio Pimenta, Nelson Bomilcar, Gerson Ortega, Jorge Camargo, Edy Chagas, Marcos Mônaco, Miriam Ortega, Carla Bomilcar, Sonia Pimenta e Helio Campos estiveram juntos por 7 anos em torno desta visão de compartilhar uma musica com conteúdo da palavra de Deus e com o melhor da nossa cultura.

Gravaram Plantando a Semente que trouxe as canções “Nem um momento só”, “Trigo e Joio” e “Resposta Certa”. Com certeza é um trabalho excepcional, entretanto, como o proprio nome sugere, algo maior ainda estava por vir. E se a semente já era assim, imaginem então o seu fruto.

 Fruto da semente trouxe uma riqueza musical singular. Do chorinho ao rock, passando pela musica instrumental, este álbum se destaca pela preciosidade da poesia do Sergio Pimenta, pela suavidade da interpretação do Jorge Camargo que deu vida a belíssima canção “Fruto da Semente”, a interpretação comovente no piano do Gerson Ortega em “Ele é o teu louvor”, além das belíssimas harmonizações vocais de “Vem Comigo”, “Nada como antes”, “Antes” e “Idéia Melhor”. E o que falar do solo de saxofone do Marcos Mônaco em “Vem Comigo”?!


O legado musical do Grupo Semente é indiscutível. Trouxe a poesia e a musicalidade brasileira para a música cristã e contribuiu para fortalecer a visão que foi gerada pelo “De vento em popa”. Alias, muitos dos integrantes do Grupo Semente,  participaram deste e certamente criaram ali um vinculo que culminou com o nascimento do grupo.


sábado, 11 de junho de 2011

Se não ouviu, ouça! – De vento em popa – Vencedores Por Cristo (1977)



O ano era 1977, a equipe reunia muita gente talentosa, Sérgio Pimenta, Aristeu Pires, Guilherme Kerr, Edy Chagas e Artur Mendes. Fundada pelo missionário americano Jaime Kemp em 1968 com o objetivo de preparar jovens universitários e pré-universitarios para a evangelização, VPC gravou rádios álbuns antes de apostar num trabalho inteiramente brasileiro.


 
Sergio Leoto, Guilherme Kerr, Arthur Mendes e Ederly Chagas, em ensaio vocal para gravação de de vento em popa. Fonte: VPC


O momento nas igrejas evangélicas era outro e muitas igrejas ainda se quer aceitavam guitarra e bateria na sua liturgia. O hinário era composto especialmente de hinos americanos traduzidos para o português pelos missionários e ritmos brasileiros passavam longe da porta da igreja.

Foi neste tempo de grandes transformações na sociedade brasileira, quando a boa musica aflorava por todas as esquinas das grandes cidades que o Jaime Kemp resolveu dá uma oportunidade para a juventude do VPC gravar um LP apenas com canções próprias. Nascia um marco na historia da musica brasileira, uma verdadeira obra de arte, repleta de melodias e harmonias encantadoras. De vento em popa é uma unanimidade, um divisor de águas, temas de dissertações, estudos e muitos debates sobre a “nacionalização” da liturgia brasileira. Afinal, temos no nosso sangue verde e amarelo as raízes do samba, xote, xaxado e baião.


Livro De Vento em Popa - Fé Cristã e Musica Popular Brasileira (2009) de autoria do Jorge Camargo sobre este trabalho musical que mudou a historia da musica evangelica brasileira.


A canção tema (ouça aqui ) foi composta pelo Aristeu Pires Junior e mesmo que depois disso o Aristeu não tivesse composto mais nada seu legado já seria incontestável. A musica é um primor, com uma levada estilo bossa nova, um coro masculino que lembra o MPB4 canta uma reflexão sobre a vida e sobre abrir o coração para Cristo bem no estilo brasileiro.

Sergio Pimenta


O trabalho tem ainda as canções Sinceramente (Ederly Chagas e Arthur Mendes), Por onde Vais (Sergio Pimenta), Salmo 139 (Aristeu Pires Jr),  Vai Caminhando (Guilherme Kerr), A Roseira (Aristeu Pires Jr),  Vou Chegar (Música: Arthur Mendes, Letra: Sergio Pimenta),  Mais Perto, Canto (Ederly Chagas), o Reino do Filho (Guilherme Kerr), Canção pra Pedro (Aristeu Pires Jr) e Cada Instante (Sergio Pimenta).

Por onde vais tem um fato interessante: Segundo Jorge Camargo (www.jorgecamargo.com.br), a presença do bongô, instrumento de percussão de origem cubana, constituído por dois pequenos tambores unidos por uma barra de metal, e que são tocados com baquetas ou com os dedos. A utilização de um instrumento com essas características em uma gravação de música religiosa cristã naquela época foi considerada por muitos líderes mais conservadores uma verdadeira afronta. Instrumentos de percussão em geral eram associados aos rituais das religiões afro-brasileiras, não podendo, portanto, servir de acompanhamento ou adorno a nenhum tipo de música que se propusesse a ser cristã. O De Vento em Popa mais uma vez revoluciona.


 Acho o album de Vento em Popa fantastico, mas seja qual for a obra, sem temos as nossas preferidas. Eu gosto muito das canções Roseira (ouça aqui), Salmo 139 (ouça aqui), Vai Caminhando, Vou Chegar (ouça aqui), Canção pra Pedro (ouça aqui) e Cada Instantes (ouça aqui).
Eu acho a harmonização de Canção pra Pedro uma obra prima a parte. A interpretação de cada instante singular, além de ser esta uma canção muito intimista. Vou chegar é um verdadeiro hino contra essa coisa esta filosofia barata do  "deixa a vida me levar" que muita gente tanto gosta de repetir.
É um album que vale a penas ouvir nao so pela sua importancia historica mas tambem pela sua qualidade estética, musical e poética. Se nao ouviu ainda, ouça!