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quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Poemas domados
Continuo a descobri a obra do pernambucano João Cabral de Melo Neto:
Poema nenhum se autonomiza
no primeiro ditar-se, escoçado
nem no construí-lo, nem no passar-se
a limpo do datilografá-lo.
Um poema é o que há de mais instável
ele se multiplica e divide,
se pratica as quatro operações
enquanto em nós e de nós exite
Um poema é sempre como um câncer:
que química, cobalto, indivíduo
parou os pés deste potro solto?
Só o mumificá-lo, pô-lo em livro.
João Cabral de Melo Neto. Trecho do poema o que se diz a editor a propósito de poemas. Extraído de A escola das facas (1975-1980), editora alfaguara, 2008.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Voltar a escrever
Resolvi voltar a escrever. Não por desejo, por necessidade, talvez. Há momentos em que escrever parece ser o melhor remédio. Estes dias uma canção não me sai da cabeça. Palavra de honra, gravado por Jessé, o cantor de origem evangélica e que ficou famoso por cantar Porto Solidão.Palavra de honra
"Palavra que eu não sei o que fazer
Com essas coisas dentro do meu peito
Rancores, desamores do passado
Aproveitam meu estado
E tua vaga no meu leito
São grandes invisíveis inimigos
Que habitam nosso quarto sem ruídos
Me tornam presa fácil do perigo
Juventude se esvaindo
Em cada frase que eu digo
Palavra que eu não sei como evitar
Dizer coisas amargas pra idade
Dobrada que me foi pela desdita
De uma eterna mente aflita
A querer felicidade."
Acho belíssimos os versos dessa canção, desde a primeira vez que a ouvi, senti uma identidade imediata com a temática. Para quem não conhece, vale a pena conferir Jesse cantando esta musica.
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