segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Antífona - Cruz e Sousa
Depois que tirei esta fotografia (cuja a qualidade aqui no blogger deixa a desejar, não sei o que acontece quando faço o upload das imagens que elas perdem tanta qualidade), lembrei-me de um trecho do poema Antífona, do Cruz e Sousa.
Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras...
Formas do Amor, constelarmente puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas...
Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...
Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...
P.s. Há tempos procuro uma edição de Missal e Broquéis para comprar e não encontro...
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Poemas domados
Continuo a descobri a obra do pernambucano João Cabral de Melo Neto:
Poema nenhum se autonomiza
no primeiro ditar-se, escoçado
nem no construí-lo, nem no passar-se
a limpo do datilografá-lo.
Um poema é o que há de mais instável
ele se multiplica e divide,
se pratica as quatro operações
enquanto em nós e de nós exite
Um poema é sempre como um câncer:
que química, cobalto, indivíduo
parou os pés deste potro solto?
Só o mumificá-lo, pô-lo em livro.
João Cabral de Melo Neto. Trecho do poema o que se diz a editor a propósito de poemas. Extraído de A escola das facas (1975-1980), editora alfaguara, 2008.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
Eu, caçador de mim
Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da meta escura
Longe se vai sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Foi assim que escreveram Luiz Carlos Sá e Sergio Magrão. Acho que todos vivem a busca e expectativa de se encontrarem. Descobri quem realmente somos. Nesta multifacetada revelação que há em nós, nos deparamos com muitos eu's, de muitas habilidade e inabilidades, também. Quando penso nisso, sempre me lembro da multiforme graça de Deus, que se revela em cores, tamanhos, texturas, geometrias, sabores, tons e subtons, quialteras e colcheias, em prosa e verso, em canto e silêncio.
Eu, caçador de mim, "nestes dias tão estranhos", em que "a poeira se enconde pelos cantos", a gente se pergunta: o que somos ? o que queremos ser? Enquanto não houver espaço para a pergunta, dificilmente se encontrará a resposta. Enquanto se deixa a vida nos levar, nunca conheceremos este multifacetado eu. Por isso, endosso as palavras de Lenine: "
Não deixo a vida me levar
Levo o que vale do viver
Um sorriso pleno, um amor sereno
E tudo o que o tempo me der
A vida é pra se louvar
Pra se louvar a vida é
Vem o que vier, vale o que valer
Vale o que valer, vem o que vier
Um caminho raro, um coração claro
Por todo o tempo que houver
Leva, valer, louvar, haver
Viver se houver valor a vida
Não deixo a vida me levar
Quem leva a vida sou eu
Não deixo a vida me levar
Não deixo a vida me levar
Quem leva a vida sou eu
domingo, 10 de setembro de 2017
A solidão dos astros
a solidão dos astros, a solidão da lua, a solidão que é fera e que devora, Alceu. hoje é noite de lua cheia e eu meu pergunto: há solidão quando não somos percebidos? quantos não perceberam a lua singrando os mares celestiais, surgindo imponente às 22h deste domingo? é triste ser lua, estar lua no céu e estar só. às vezes, sendo lunar, não somos nada, por que ninguém percebe que estamos lá. e mesmo estando aqui, às vezes, parece que ninguém está lá por ela. a solidão que devora os astros, devora os quartos e os corações? só não devora os desejos.
sábado, 9 de setembro de 2017
Chuvas do Recife
Esta semana, lendo um poema do João Cabral de Melo Neto, senti apertar a saudade de minha cidade. Toda semana abro os jornais online para verificar as notícias de lá. Nada animador. O problema se alastra por todo país. Este ano tivemos um inverno atípico, com muitas chuvas e frio. Acho que isso só serviu para enfatizar meu sentimento em relacão ao poema.
Chuvas do Recife
1
Sei que a chuva não quebra osso,
que há defesas contra seu soco.
Mas sob a chuva tropical
me sinto ante o Juízo Final
em que não creio mas me volta
como o descreviam a escola:
mesmo se ela cai sem trovão
demótica em sua expressão.
2
No Recife, se a chuva chove,
a chuva é a desculpa mais nobre
para não se ir, não se fazer
para trancar-se no não-ser.
Mais que em cordas é a chuva em sabres
que aprisiona o dia em grades,
e mesmo que tenha gazuas
da grade viva evita a rua.
3
a chuva nem sempre é polícia,
fechando o mundo em grades frias:
há certas chuvas aguaceiras
que não caem em grades, linheiras:
se chovem sem qualquer estilo
se chovem montanhas, sem ritos.
São chuvas que dão cheias, trombas,
em vez de cadeia dão bombas.
4
Há no Recife uma outra chuva
(embora rara), rala, miúda.
Não como a chuva da chuvada,
que cai, agride, e é pedra de água,
passa em peneiras esta chuva,
não traz balas, não tranca ruas:
mas faz também ficar em casa
quem pode, antevivento o nada.
Extraído de O artista incofessável, editora alfaguara, 2007.
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Fim de tarde, dia de independência
Pra cima, Brasil!
João Alexandre
Como será o futuro
Do nosso país?
Surge a pergunta no olhar
E na alma do povo
Cada vez mais cresce a fome
Nas ruas, nos morros
Cada vez menos dinheiro
Pra sobreviver
Onde andará a justiça
Outrora perdida?
Some a resposta na voz
E na vez de quem manda
Homens com tanto poder
E nenhum coração
Gente que compra e que vende
A moral da nação
Brasil olha pra cima
Existe uma chance
De ser novamente feliz
Brasil há uma esperança!
Volta teus olhos pra Deus,
Justo Juiz!
Como será o futuro
Do nosso país?
terça-feira, 5 de setembro de 2017
O artista inconfessável
O Artista inconfessável
João Cabral de Melo Neto
Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.
Extraído de O artista incofessável, editora alfaguara, 2007.
domingo, 28 de maio de 2017
Amar e mudar as coisas me interessa mais
Em nenhuma teoria
Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais
Nem em tinta pro meu rosto
Ou oba oba, ou melodia
Para acompanhar bocejos
Sonhos matinais
Em nenhuma teoria
Nem nessas coisas do oriente
Romances astrais
A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais.
Amar e mudar as coisas me interessa mais ... "
Belchior - Alucinação
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Sobre o amor e o egoísmo
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
Boa Noite, minha estrela companheira!
"Aqui mesmo em frente a minha janela
Dia a dia cresce um prédio
Que vai te roubar de nós
E eu já cansei de procurar
Onde é que a gente vai parar
Sem teu brilho pra mostrar
Pra onde caminhar"
